Agile Projeto

Tenha um ritmo de trabalho sustentável com “Agile”

A não ser que tratemos as questões culturais, a organização não será capaz de obter a agilidade.

O que ocorre quando o desenvolvimento de software é feito durante horas extras?

Diversos estudos demonstram um aumento na produtividade na primeira semana de horas extras, o qual decai rapidamente até finalmente cair a um nível de produtividade abaixo do normal das 40 horas de trabalho. Durante as horas extras, as pessoas tendem a não notar a queda em suas habilidades cognitivas, resultando em erros e finalmente em degradação da qualidade.

O artigo desta semana discorre sobre o “ritmo de trabalho sustentável” e o ritmo sustentável não tem relação com “pegar leve” ou ir devagar. É justamente o oposto, pois espera-se que se gaste energia vigorosamente para então recuperá-la durante o descanso. No longo prazo, invista sua energia com sabedoria e leve em conta os resultados de pesquisas sobre felicidade ao estabelecer suas prioridades.

8º Princípio do Manifesto Ágil – “Ritmo Sustentável”

Manter o ritmo constante é necessário, embora não seja simples mantê-lo.

O oitavo princípio do manifesto ágil afirma que: Processos ágeis promovem o desenvolvimento sustentável. Os patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter um ritmo constante indefinidamente.

E, realmente, os processos ágeis promovem um desenvolvimento que é capaz de se sustentar ao longo do tempo, desde que todos os envolvidos no projeto sejam capazes de perceber os benefícios de manter um ritmo constante, para que se esforcem nesse sentido.

Vamos analisar como os processos ágeis promovem esse desenvolvimento sustentável:

Iterações curtas (2 a 4 semanas) e software funcionando

A equipe se compromete com uma quantidade de trabalho X, possível de ser realizada e entregue no tempo da iteração. Mas por que a equipe se compromete com a quantidade X e não Y?

Porque com iterações curtas, após 3 ou 4 iterações, a equipe adquire o conhecimento de sua velocidade, ou seja, a equipe sabe o quanto de trabalho é possível entregar em uma iteração. Ela sabe que as chances de sucesso em entregar a quantidade X são muito maiores do que as chances de entregar Y.

Velocidade constante da equipe

A equipe sabe sua velocidade e o quanto pode se comprometer a cada iteração. Mas como é possível a equipe manter sua velocidade constante em todas as iterações?

Ter uma velocidade constante é resultado de estimativas de esforço mais precisas. Com iterações curtas é possível avaliar ao final de cada iteração se a estimativa de esforço para cada trabalho implementado foi acertada ou não.

Esse conhecimento permite ajustar as estimativas para os próximos trabalhos a serem estimados. Com isso, após 3 a 4 iterações, a equipe adquire o conhecimento da relação esforço X estimativa para pontuar os trabalhos a serem implementados.

Esforço X Estimativas

Como a equipe consegue ao longo do tempo estimar melhor o esforço para cada trabalho a ser realizado?

Com iterações curtas o trabalho tem que ser quebrado em mais partes, onde as partes sejam de tamanho suficiente para serem implementadas no tempo de uma iteração.

Esse processo de quebrar o trabalho macro em trabalhos menores, favorece o melhor entendimento por parte da equipe do que deve ser implementado, pois a descrição do trabalho passa a ser mais clara e objetiva.

Descrições mais claras e objetivas favorecem estimativas melhores, que por sua vez favorecem à equipe manter uma velocidade constante dentro de uma iteração com tempo fixo. O ciclo se fecha e o ritmo constante pode ser mantido.

Ritmo constante

A equipe sabendo estimar bem o trabalho a ser feito e conhecendo sua velocidade (o quanto ela pode se comprometer em uma iteração), reduz a cada iteração a chance de insucesso na entrega.

E recebendo software funcionando ao final de cada iteração o dono do produto percebe o comprometimento da equipe e passa a confiar em seu trabalho, especialmente em suas estimativas, que segue num ritmo constante com o produto sendo incrementado ao final de cada etapa.

A equipe também se sente mais motivada quando trabalha numa levada constante. Pois ela sabe que o trabalho de uma iteração foi estimado e combinado para caber dentro de seu horário de trabalho, não sendo necessário horas extras para finalizar a entrega.

Scrum promove o ritmo constante

No framework Scrum tudo é favorável para o ritmo constante:

  1. Inicia-se a iteração planejando o que será entregue ao final da mesma
  2. Diariamente a equipe se comunica na “reunião diária” do projeto
  3. Apresenta-se o produto incrementado
  4. Avalia-se o processo de trabalho para adaptação do que ainda pode ser melhorado
  5. Dá-se início a outra iteração.

É o ritmo que é mantido com timebox (tempo fixo de trabalho) de 2, 3 ou 4 semanas ininterruptas de trabalho.

Conclusão

O ritmo sustentável é considerado por muitos como fundamental para uma adoção ágil. Atingir, porém, um ritmo sustentável pode ser difícil, especialmente pela forma como as equipes são gerenciadas somado à cultura das organizações.

Ritmo sustentável não é uma maratona, é uma série de corridas de tiro curto em que se pausa, reenergiza-se, reflete-se e começa-se de novo

E você e sua equipe? Mantém um ritmo constante de trabalho saudável? Pense nisso !!!

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Flávio Costa
Gerente de Projetos na Hexagon

Gerente de projetos com mais de 15 anos de experiência desde desenvolvimento de software, gestão de portfólios, programas e projetos, liderança e formação de equipes. Possui as principais certificações gestão de projetos como: PMP (Project Management Professional) pelo PMI, PRINCE2 Practitioner, PRINCE2 Agile e MoP (Management of Portfolio) pela Axelos, Agile Scrum pela Exin entre diversas outras.


Gerenciou grandes projetos e programas de implantação de sistemas nos segmentos de comércio, varejo, engenharia, segurança pública, informações geográficas e setor público sempre com foco no relacionamento interpessoal e gestão de mudança com alto valor estratégico. Sempre engajado e comprometido em construir e liderar equipes para atingir as metas corporativas e entregar valores e benefícios a organização e cliente.


Atualmente é: Gerente de Projetos na Hexagon, Gerente de Portfólio no PMI-SP, Professor em gestão de projetos pelo SiteCampus e Colunista nos portais TI Livre, Projetos e TI, e Profissionais TI


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