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Por que o PMBOK® não é uma metodologia?

Uma das discussões mais comuns na web e em outros lugares é focada em discutir ou comparar os méritos  da metodologia PRINCE2® com a metodologia PMBOK®. O problema com essa proposição é que essa premissa básica está completamente errada!

O (PMI) Project Management Institute tem o guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK®) que não é e nunca foi uma metodologia.

Metodologias são utilizadas para definir os processos e fluxos de trabalho, além das responsabilidades necessárias para atingir um objetivo. PRINCE2 é uma metodologia de projeto excelente para gerenciamento de projetos com um grande componente interno. Ágil (Agile) e cascata são duas metodologias de desenvolvimento de software diferentes que incorporam elementos de gerenciamento de projetos.

Já o PMBOK é um American National Standards Institute (ANSI). Para lhe dar seu nome completo, é um guia para o Project Management Body of Knowledge. Os processos descritos no PMBOK são geralmente aceites de boas práticas que se aplicam à maioria dos projetos na maior parte do tempo.

Esta pode ser a base para uma boa metodologia de gerenciamento de projetos, mas por si mesmo, o guia PMBOK não é, e nuca poderá ser, uma metodologia sem adaptação.

A diferença entre a guia PMBOK® e uma metodologia é determinar o que deve ser feito por quem, quando e como:

  • Quais dos processos devem ser aplicados em sua organização e, em que medida e com qual rigor?
  • Quem é responsável pela execução dos processos, inclusive, papéis genéricos e responsabilidades, estruturas da organização do projeto e os comitês de governança?
  • Como os processos podem ser aplicados? Modelos, diretrizes e fluxos de trabalho.

Estas são questões extremamente importantes.

  • Se um PMO (ou alguém na empresa) estabelece que  “vamos implementar o PMBOK” sua empresa está caminhando para o desastre.
  • Se o PMO se propõe a desenvolver uma metodologia personalizada baseada nas boas práticas descritas no PMBOK sua empresa está potencialmente no caminho certo.

As lacunas no PMBOK e, consequentemente, a informação que você precisa para desenvolver e incorporar em sua metodologia incluem:

1. Saber exatamente o que deve ser feito. O PMBOK apenas oferece orientação geral e afirma isso especificamente.

2. Definir entradas precisas, saídas e critérios de desempenho. O PMBOK na sua maior parte não diz nada sobre isso. Para exemplo, uma simples análise de risco qualitativa identifica impactos relativos, mas o que representa um impacto 0,80 (extremo)? RS 5.000, R$ 50.000, 500.000?

A metodologia tem que fazer essas definições. O “impacto” pode se aplicar Na qualidade, segurança, tempo, custo e precisamente quais mais importam, incluindo na metodologia, o que pode ser deixado de fora? Uma avaliação de risco grande por exemplo onde uma equipe que não decidiu nada sobre se os R$ 250.000 seriam considerados um risco extremo, em outros projetos R$250.000 pode ser mais do que o orçamento total.

3. Definir as pessoas responsáveis ​​por executar os processos pelos papéis. O PMBOK apenas oferece orientação geral. A metodologia define os papéis, responsabilidades e níveis de autoridade.

4. Desenvolver ​​modelos e documentos de orientação amigáveis para implementar os processos de forma consistente. O PMBOK na maior parte não diz nada sobre isso.

5. Definição dos fluxos de trabalho. O PMBOK é bem definido a este respeito, mas trata apenas com uma única passagem; metodologias precisam lidar com compilações iterativas.

Então você começa as perguntas de como muitas vezes os processos serão usados, como eles serão aplicados, como se supervisiona os processos, como o desempenho é medido, como os processos serão melhorados e o que acontece se houver um problema identificado ou apenas uma questão.

O texto acima é uma descrição elementar dos conteúdos de qualquer metodologia de negócios bem concebida, é consistente com conceitos como Six Sigma, está bem definido na metodologia PRINCE2 e é avaliável em parte através do PMI Organizational Project Management Maturity Model (OPM3).

Em suma, tudo que o guia PMBOK oferece é exatamente o que ele diz que oferece: “um conjunto de boas práticas que podem ser utilizados na maioria dos projetos na maior parte do tempo.” Uma metodologia desenvolvida com base neste deve começar por definir  o que, como, o que, quando e quanto.

Mesmo os autores esperam que as organizações que utilizam PRINCE2 construam e adaptem a metodologia para suas necessidades: Uma única medida não serve a todos!

O PMBOK é certamente um excelente ponto de partida (como o PRINCE2), e ter uma boa base é fundamental, mas as fundações são sempre apenas um ponto de partida. Uma vez que as suas fundações estão bem, o verdadeiro trabalho de construção de uma metodologia útil ou adaptação de uma metodologia pode começar a ser publicado.

A verdadeira habilidade é garantir que a metodologia seja  tão simples, rápida e fácil de usar quanto possível ao aplicar o rigor suficiente para otimizar os resultados do projeto.

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Coimbra, PMP
Como fundador da Projetos e TI, ajudo as organizações a se tornarem ecossistemas adaptativos, responsivos e auto-organizáveis, implementando novas práticas, estruturas, ritmos e tecnologias que permitam transparência, abertura, inovação e uma forma progressiva de liderar. Caso queira saber mais entre em contato comigo, inscreva-se na minha newsletter, ou me convide para uma palestra.

Graduado em Gestão de Tecnologia pelo Centro Universitário Barão de Mauá.
Pós-Graduado em Gerenciamento de Projetos, com as práticas do PMI® pelo SENAC.

Certificado como PMP® pelo PMI®. Six Sigma White Belt pela Voitto.
Especializado em BPMN2 pela Anelox, PMCanvas pela PM2.0 e Análise de requisitos

Mentor e influenciador de gestão de projetos, agilidade e transformação digital.

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