Escopo Projeto

A importância dos Protótipos como ferramenta de Coleta de Requisitos

A coleta de requisitos talvez seja o maior obstáculo para o gerenciamento de projetos, em analogia podemos compará-la como sendo a definição do esqueleto do projeto, pois todas as ações tomadas durante a execução do mesmo serão tomadas a partir dos requisitos determinados ali1.

Por isso, é de suma importância extrair das partes interessadas o máximo de informação possível, e atender da melhor forma as perspectivas de cada um.

Mas esse é o grande desafio da coleta de requisitos, qual é a melhor maneira de conversar com cada um? Como superar essas adversidades de forma rápida e prática?

Para responder essas e diversas outras perguntas existem as técnicas e ferramentas para a Coleta de Requisitos.

O uso desses métodos dependerá principalmente da avaliação do Gerente de Projetos junto com a equipe responsável pela especificação do escopo, dos tipos de dados à serem coletados, das informações disponíveis até o momento e da etapa em que se encontra o projeto.

Por exemplo, os métodos de benchmarking, brainstorming, mapas mentais, entrevistas e observações tem melhor aplicação em projetos que ainda estão em etapa inicial, ou sem o escopo definido, podem ser usados separados, ou em conjunto, e expõem grandes quantidades de ideias e requisitos.

Já para os projetos que possuem uma grade pré-estabelecida, algumas ferramentas recomendadas são, pesquisas e questionários, técnicas de grupo nominal e diagramas de afinidade, pois já partem das informações coletadas no início do projeto as organizam e definem qual o grau de importância de cada uma dentro do projeto.

Existem ainda as ferramentas usadas quando é necessária a validação dos requisitos, e para isso, as técnicas mais recomendadas são os Grupos de Foco e os Protótipos (que será descrito a seguir), pois são ferramentas para “testar” o projeto2.

O Protótipo nada mais é que uma modelagem simplificada do produto final, levando em consideração os requisitos levantados, tendo como objetivo principal pôr à prova cada requisito aplicado, testar seu funcionamento e identificar possíveis falhas.

Podemos citar como vantagens da aplicação da ferramenta de Prototipação:

  • Facilitar o entendimento das partes interessadas

  • Mostrar uma pequena amostra do produto para o cliente

  • Identificar possíveis falhas no escopo

  • Facilitar a discussão entre as partes interessadas

  • Obter uma aceitação maior do patrocinador/cliente

Podemos descrever os protótipos como sendo dos seguintes tipos descritos abaixo3:

  • Maquete em modelo físico: objetos produzidos por prototipagem rápida, como por exemplo as maquetes de uma casa, ou algum outro edifício, parque, etc, impressões 3D, ou até miniaturas montadas em LEGO4, com grande variação em seu nível de fidelidade, podendo ser funcionais ou não.

Figura 1 Porsche 911 GT3 RS 1;1

Modelos de papel: representações gráficas também com vários níveis de fidelidade, esboçando as dimensões do projeto, podendo ser citado como exemplo os croquis, mock-up, wireframes, sketches, blueprints5 e desenho assistido por computador (CAD).

Figura 2 Blueprint da Torre Eiffel
  • Encenação: simulação de uma situação para evidenciar a funcionalidade de um produto/serviço, ideal para a visualização de terceiros e opinarem a respeito do funcionamento do produto, como por exemplo, versões Demo e Beta de alguns jogos e programas.

  • Protótipo de Serviços: simulação de uma proposta de serviço aplicada que represente de maneira fiel a metodologia do projeto a ser executado, ideal para representar ideias que mostram-se mais abstratas e difíceis de visualizar. Um ótimo exemplo desse tipo de protótipo é o MVP (Minimum Viable Product, ou Produto Mínimo Viável), que nada mais é que a confecção mais simples de um produto feita com a mínima quantidade de esforço e desenvolvimento possível, conceito bastante utilizado na maioria das startups atualmente, pois prezam sempre pela evolução constante do empreendimento.

Concluindo, o uso do protótipo pode ser muito vantajoso como ferramenta para coleta de requisitos, facilitando muito a visão, comunicação e entendimento das partes interessadas, mas devemos primeiro verificar se o conhecimento que queremos obter poderá ser obtido somente dessa forma, visto que o protótipo deve ser tecnicamente possível de elaborar, economicamente viável, pois demanda tempo e recursos do projeto, e principalmente se é da vontade do patrocinador que o protótipo seja feito.

Protótipos são ferramentas muito interessantes e em alguns casos, indispensáveis no dia-a-dia de um Gerente de Projetos, mas devemos mensurar se realmente faz-se necessário seu uso, pois requer tempo e dinheiro que pode ser utilizado de maneira mais vantajosa.

Artigo de Bruno Favaro Piovan, para o portal Projetos e TI

Referencias 

  1. http://fgv.portalamerica.com.br/noticia/48/coletar-os-requisitos-o-grande-desafio-da-gestao-de-projetos.html  
  2. http://www.elirodrigues.com/2016/05/09/tecnicas-e-ferramentas-para-coleta-de-requisitos/  
  3. http://blog.mjv.com.br/ideias/3-fases-do-design-thinking-prototipagem  
  4. http://gtspirit.com/2016/06/07/epic-full-sized-porsche-911-gt3-rs-lego-car-sweden/  
  5. http://www.toureiffel.paris/en/everything-about-the-tower/69  
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Coimbra, PMP

CEO do portal, apaixonado por gestão de projetos, metodologias, minha família, professor, consultor, certificado PMP, Six Sigma White Belt.


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