Projeto

Evil Business

Você já percebeu a quantidade de empresas abertas no Brasil nos últimos anos? E você já percebeu como elas permanecem no mercado?

Venho observando o mercado, com foco claro na área tecnológica, e venho percebendo que aquelas que ainda estão de pé, são na verdade aquelas cujos donos não fazem a menor ideia do que se passa.

Digo isso e explico meu ponto de vista, veja bem, o que acontece em alguns casos, muitos deles experimentados por mim, imagine você recém contratado em uma empresa de tecnologia com a função de analista. Lembrando que você não precisa de um leque amplo de experiência, afinal saber SQL é fácil, entender uma estrutura de banco de dados, reconhecer todas as tabelas do banco utilizado por sua nova empresa, que muito provavelmente seu gerente não vai passar para você, é quase impossível.

Tomo por exemplo algumas questões básicas que qualquer patrão fará quando você retorna de uma implantação, por exemplo:

Exemplo ‘Mamão com açúcar’

Patrão: “- Como foi a implantação?”
Funcionário antigo (puxa saco): ” – Está tudo funcionando perfeitamente!”
Patrão: ” – Que ótimo! faremos outra amanhã!”

O problema agora é que nessa segunda implantação quem é enviado é você, lembrando que você não tem nenhuma noção da ESTRUTURA do sistema, até porque você só recebeu um treinamento de dez minutos com os termos, “- Clica aqui, clica ali e pronto!”.

Eis que ao fim do dia depois de vinte ligações para o suporte da sua empresa, após longas conversas com o “programador” designado pela empresa a ser implantado o software que você foi instalar, você chega cansado por ter feito rastreamentos “empíricos” conhecidos também por, “olhou, saiu, voltou então está certo” (afinal você não sabe da onde vem e para onde vai). E claro após seu gerente (que tem o software de cabeça e trabalha com ele “remendando-o” há anos) ter lhe dado enumeras broncas por você desconhecer as tabelas e suas 20.374.853.22 funções, você encara o patrão:

Exemplo ‘Abacaxi’

Patrão: “- Como foi a implantação?”
Você (descontente pois nenhuma função feita especificamente para aquela empresa funcionou, e somente após mil “recauchutadas” veio a funcionar intermitentemente) Responde: ” – Bom os serviços não estavam criando os links corretamente, nossos web services estavam com a configuração feita para outro sistema, analisando o banco juntamente com “Kleber” (o programador designado pela empresa a ser implantada, que escovou bits com você para resolver um problema que segundo a sua equipe de desenvolvimento “estava ok”) notamos estas configurações e acertamos ligando para o suporte e para o desenvolvedor “senior” que preparou os pacotes até que tudo se ajustou.
Patrão: (pensando com a cara baixada como se tivesse tomado ácido lisérgico) “… hummm não confio nesse novo rapaz, vou mandar o de ontem pois com ele foi tudo bem …”.

Ai fica a pergunta será mesmo que foi sua implantação foi mal sucedida? Pois você não consegue acompanhar o desenvolvimento da empresa?

As empresas neste ramo, em particular no Brasil, mantém a política de:

Se foi instalado e está rodando o sistema em um cliente, não necessariamente deve ser feito um acompanhamento, ou um treinamento (maior do que dez minutos)”

Uma vez que você entra numa empresa seja ela qual for, não importa em que setor ou nível hierárquico você se encontre, sempre existirá maus gestores, geralmente aqueles que temem perder o “cargo de confiança” para o novato que resolve os problemas.

Empresas devem sim fazer treinamentos exaustivos com seus colaboradores e até seus clientes

O campo tecnológico do Brasil é uma terra de “Evil Business”, seguidores de uma Lei de Darwin ao contrário, onde o sênior não deve de maneira nenhuma confiar no funcionário “júnior”. Mesmo assim pare e pense, utilize as pouquíssimas ferramentas que lhe são oferecidas (é só se perguntar:” – O que faria o McGyiver nessa situação?”), e delas crie outras, crie procedimentos (seus procedimentos) aprenda como funciona seu sistema por dentro e mostre sempre que possível que há falhas, mantenha tudo devidamente comentado claro, pois verbalizar um problema é muito diferente de documentá-lo.

Lembre-se que existem outros meios de você aprender, seja com uma base de conhecimentos com os incidentes mais corriqueiros, até com um procedimento que estava errado e você documentou corretamente.
Seu gestor não lhe dará estas informações, mas mesmo assim vista a camisa da empresa, pois quanto mais conhece-la, menos dependente você fica dela e na verdade ela fica dependente de você, o conhecimento que você adquire não pode ser tomado de volta, e quem sabe você não acaba abrindo uma empresa pra trabalhar corretamente.

Deste modo os clientes que dependem deste ramo de negócios, acabaram vendo uma oportunidade de trabalho idôneo prestado por você e deixarão de escutar. “Aqui tá tudo funcionando, o problema é ai então! Verifique com seu setor de TI, pois não é nosso problema”.

Lembre-se, seja um multiplicador, mesmo que seus gestores o “dividam”.

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Coimbra, PMP
CEO do portal, apaixonado por gestão de projetos, metodologias, minha família, professor, consultor, certificado PMP, Six Sigma White Belt.

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