Governança

Do gerenciamento à governança em cinco partes – 5/5

As PARTES As PARTES 11, 22 e 33 traçaram a história evolutiva da TI e de sua gestão, classificando a evolução funcional e a evolução tecnológica no período compreendido entre 1960 a 2000.

 
A PARTE 44mostrou que dessas mudanças e de seu entendimento surgiram modelos de gestão direcionados à TI, especializados em administrar um campo ainda recente da atividade humana.Nessa última e extensa parte, vamos ver que a Governança na TI é um subproduto de algo maior, algo que a própria TI apenas tangencia, que é a Governança Corporativa. Sem uma, a outra não existe. O assunto não se encerra nesses 5 posts, ao contrário, isso foi só o começo! Há muito o que aprendermos para uma TI promissora.
 
Boa leitura!
 
PARTE 5

A Governança na TI

 
A Governança da TI, seguindo o conceito evolutivo proposto por Sallé5 , representa o estágio de gerenciamento em que a TI, tendo seus processos totalmente integrados aos processos de negócio, assume a função de parceiro estratégico na corporação, aumentando a qualidade de seus serviços, dando agilidade e habilitando novas oportunidades de negócio.O termo governança, no entanto, sobrepõe-se ao termo gerenciamento no cenário corporativo, o que sugere que esse estágio mais avançado da vida administrativa da TI assuma uma função ainda mais próxima do negócio, ou menos de gerência e mais de “articulação e cooperação entre atores sociais e políticos e arranjos institucionais que coordenam e regulam transações dentro e através das fronteiras do sistema econômico”6. O termo governança surgiu no cenário mundial na década de 1990, formalizado pelo Banco Mundial em seu documento Governance and Development de 1992, como “o exercício da autoridade, controle, administração, poder de governo”, “a maneira pela qual o poder é exercido na administração dos recursos sociais e econômicos de um país visando o desenvolvimento” e “a capacidade dos governos de planejar, formular e implementar políticas e cumprir funções” (GONÇALVES, 2007, p. 1). A objetividade da definição, ainda que direcionada ao emprego político, resume pontos chaves que são identificáveis em outros usos do mesmo termo, como a amplamente difundida expressão “governança corporativa”, surgida também na década de 1990.

Governança corporativa é o sistema que assegura aos sócios-proprietários o governo estratégico da empresa e a efetiva monitoração da diretoria executiva. A relação entre propriedade e gestão se dá através do conselho de administração, a auditoria independente e o conselho fiscal, instrumentos fundamentais para o exercício do controle. A boa governança corporativa garante equidade aos sócios, transparência e responsabilidade pelos resultados (accountability).Veja em…

Ou em sua definição mais recente

Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, conselho de administração, diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de governança corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso ao capital e contribuindo para a sua longevidade.Veja em…

O estreitamento das definições, que deu um sentido de gestão mais amplo ao conceito tradicional de “administrar”, permite compreender a governança como uma ação participativa entre os atores de um processo, posicionados em seus diferentes níveis de atuação. Para a TI, que em sua função mais avançada se coloca como um parceiro estratégico para a organização, o termo “governança refere-se a atividades apoiadas em objetivos comuns” (ROSENAU, 2000 apud GONÇALVES, 2007, p. 5). Ou seja, os objetivos corporativos, prescritos por uma governança corporativa, são compreendidos e considerados pelas áreas funcionais da organização. A governança da TI reflete os objetivos da governança corporativa, enquanto foca no gerenciamento e uso da TI para atingir as metas de performance da corporação (WEILL; ROSS, 2005). A governança, como sugere a definição inicial no uso corporativo, delega poderes e define responsabilidades – accountability – a cada um do atores, como forma de conduzir as ações da empresa de forma responsável rumo aos seus objetivos. Significando também gerenciamento do valor de negócio da TI e, portanto, de valor estratégico para a corporação, “a governança da TI é o estabelecimento de direitos e responsabilidades para incentivar comportamentos desejáveis no uso da TI” (ibid.). Ou como define o ITGI (IT Governance Institute):
 
A governança de TI é de responsabilidade dos executivos e da alta direção, consistindo em aspectos de liderança, estrutura organizacional e processos que garantam que a área de TI da organização suporte e aprimore os objetivos e as estratégias da organização7.

Dialogando Weill e Ross (2005) com o conceito de Peterson (2003), em que as ações de governança da TI são externas à área de TI e visam resultados futuros para o negócio, reforça-se a necessidade de uma governança corporativa anterior à governança da TI para estabelecer objetivos de negócio, delegar responsabilidades e definir direitos na interação entre negócio e atores do processo. O ITGI corrobora com a essencialidade da governança corporativa.

A necessidade da avaliação do valor de TI, o gerenciamento dos riscos relacionados à TI e as crescentes necessidades de controle sobre as informações são agora entendidos como elementos-chave da governança corporativa. Valor, risco e controle constituem a essência da governança de TI. (ITGI, 2007, p.7)

A premissa da governança corporativa, que sugere a ideia de estabelecimento de estratégias de negócio, não impõe, no entanto, que deva haver alinhamento estratégico entre TI e negócio, como sugere alguns autores. Para Ross (2006), estratégias de negócio são multifacetadas, englobando decisões como em quais mercados competir, como a empresa se posicionará em cada mercado e quais capacidades desenvolver. Dessa forma, estratégias raramente oferecem direções suficientemente claras para o desenvolvimento de uma TI estável e de processos de negócios capacitados ao atingimento dos objetivos.
 

Referencias

  1. Do Gerenciamento à Governança em 5 partes – 1  
  2. Do Gerenciamento à Governança em 5 partes – 2  
  3. Do Gerenciamento à Governança em 5 partes – 3  
  4. Do Gerenciamento à Governança em 5 partes – 4  
  5. SALLÉ, Mathias. IT Service Management and IT Governance: Review, Comparative Analysis and their Impact on Utility Computing. HP Laboratories. Palo Alto, 2004. WEILL, Peter; ROSS, Jeanne W. IT Governance. Harvard Business School Press.  Massachusetts, 2004.  
  6. GONÇALVES, Alcindo F. “O Conceito de Governança”. In: Anais do XV Congresso Nacional do CONPENDI: Tema: Direito, Sociobiodiversidade e Soberania na Amazônia. Florianópolis, 2007.  
  7. ITGI . COBIT 4.1. 2007.  
Cleber Sousa

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