Gestão Estratégica Processos e negócios Projeto

Afinal, você sabe o que faz um analista de negócios?

Atualmente, muito se fala sobre estudo do negócio, objetivos estratégicos, foco, missão, valores, mas no dia a dia costumamos ter sobre isso um sentimento de que está tudo muito distante de nossa realidade, e muitas vezes fica difícil entendermos nosso papel como engrenagem que compõe toda uma estrutura complexa para realização de lucros.

Assim, surge a figura do analista de negócios com o intuito de entender as reais necessidades e garantir o alinhamento entre a estratégia e o negócio. Mas então, por onde devemos começar?

O primeiro passo de um analista de negócios é identificar o problema.

Entender o problema não consiste apenas em ouvir o que o cliente acredita ser o problema, e sim identificar os sintomas e causas que induziram o cliente a solicitar o auxílio de um analista de negócios. Nesse contexto, é interessante realizar o impact mapping para conseguir extrair maiores informações deste cliente. Uma pergunta poderosa que podemos fazer para o cliente é:

Quando você começou a precisar dessa solução?

Com isso conseguimos ir ao início do problema para entendermos o contexto que fez o cliente necessitar e almejar mudanças.

Para identificar o problema, podemos utilizar diversas ferramentas, como por exemplo os 5 porquês, impact mapping, canvas de valor, dentre outras ferramentas cujo objetivo deve ser mapear o estado atual do cliente que originou a necessidade da mudança.

Identificado o problema é necessário avaliarmos o cenário atual, mapeando quem são as pessoas afetadas, processos impactados, etc.

Para auxiliar no entendimento desse cenário, faz-se também o mapeamento dos processos de trabalho, também conhecido como mapeamento de cenário AS-IS.

Neste mapeamento, é importante conseguirmos “quantificar o problema”, pois isso permite que, através de métricas, possamos perceber se a solução foi efetiva ou não.

Citemos um exemplo simples para melhor compreensão do que é quantificar o problema: O cliente solicita uma solução para redução do número de alertas gerados em seu ambiente, cuja média é de 100 alertas por hora. Após a entrega da solução, constatou-se que esse número foi reduzido para 50 alertas por hora.

Assim, essa maneira de mensurar o problema nos auxilia a identificar se nossa solução está condizente com o desejo do cliente.

Após as etapas de identificação, investiga-se o problema para chegar de fato na causa-raiz. Quais são as ineficiências que causam aquele problema?

Então, a partir disso definimos o estado futuro, fazendo um mapeamento similar ao cenário atual (AS-IS), mas visando entender o que é esperado realizar ou atingir com o estado futuro e que não é possível ser realizado no “hoje”, também chamado de cenário futuro TO-BE. Qual resultado é desejado se obter?

No exemplo já citado, será que a redução de alertas de 100 para 50 era o resultado desejado pelo cliente?

Tendo ambos os cenários atual e futuro devidamente mapeados, devemos traçar a baseline para alcançá-lo. Nessa etapa criamos um plano de ação e acompanhamento.

Com essa informação e realizando as perguntas corretas para saber o que precisa ser feito para sair do estado atual para o estado futuro, devemos realizar o acompanhamento para saber se estamos na direção correta.

Quais resultados são esperados das ações deste plano para obtenção dos resultados propostos?

Todo esse conjunto de ações que compõe o plano de ação devem apontar para a solução mais adequada. Por exemplo:

  • Devemos comprar uma solução específica para alcançar meu cenário atual ou devemos desenvolver internamente esta solução?
  • Quais são os custos e benefícios propostos?

Diversas possibilidades de caminhos podem apontar para alcançarmos o cenário atual.

Cabe ao analista de negócios realizar a análise para determinar o melhor caminho, e registrar tudo adequadamente para conseguir a aprovação dos investimentos.

Muitas vezes esse profissional também suporta o time para realizar as mudanças, e conseguir avaliar se conseguiram alcançar de fato o cenário futuro proposto anteriormente.

Após todo esse trabalho para obtenção de benefícios, os resultados que não saíram conforme esperado passam a ser remapeados como melhorias propostas, e nisso temos um processo contínuo de obtenção de melhores caminhos para realizarmos a transição de cenário atual para cenário futuro.

Dessa forma, podemos notar que a atuação do analista de negócios não se limita à criação de um produto ou solução específica, e sim realizar toda uma análise aprofundada que vem desde o alinhamento estratégico de toda uma organização até o último nó de stakeholder impactado de seu cliente.

Entender as reais necessidades do cliente é uma das maiores dificuldades do analista de negócios, sendo assim a comunicação a chave para alcançar os resultados desejados de maneira eficaz.

Rafael Calça
Analista de Negócios
MBA em Gestão Estratégica de Negócios. Experiência em Análise de Processos e mapeamento de cenários AS IS e TO BE.
ITIL, COBIT, ISO 27002, COSO, BPMN,

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