Governança

Senta que lá vem a História

 

Falando um pouco de história, o Gerenciamento da TI nasceu com a TI, numa iniciativa natural de tornar as coisas mais fáceis para o cérebro. Algo tão natural quanto arrumar uma gaveta de roupas íntimas, cada um a seu jeito, o velho do novo, os claros dos escuros…
 
 
Antes dos anos 1970: O caos gerencial
A era dos mainframes. Nessa época, não havia padrões, consensos ou boas práticas, afinal ainda não havia história. Tudo ainda era presente, fervilhando em novidades. Alguns autores dizem que não havia gerenciamento antes de 1970, outros dizem que havia sim, mas um caos gerencial. Para mim, havia o que dava para fazer, o que era necessário, o essencial. Não vivi naquela época, mas tratando de evolução, o embrião já tem vida mesmo sem saber.
 
Aqui, a gaveta misturava cuecas, petecas, carrinhos e bolinhas de gude.
 
1970: O Gerenciamento de Sistemas
A era dos minicomputadores. Os minicomputadores tornaram possíveis a customização de sistemas e a manipulação de linguagens de programação fora das fábricas. Uma empresa podia assim desenvolver sistemas apropriados à sua operação, dentro de casa e com as particularidades que lhe fossem necessárias. Surgiu daí as primeiras noções de Desenho, Planejamento, Implementação, Operação e Suporte.
 
A gaveta ganhou divisórias para separar o conteúdo antes misturados.
 
1980: O Gerenciamento de Rede
A era dos microcomputadores e das aplicações cliente-servidor. As diversas topologias de redes que a TI utilizou ao longo da história pulverizaram nos CPDs do mundo uma enorme variedade de interfaces físicas, protocolos, dispositivos de conexão, fios, conectores e muita bagunça. O administrador da época era o mantenedor de redes em anel e de ambientes com múltiplos protocolos (NETBEUI, IPX, LANTASTIC, X25 etc.). Saber o nó com problema, onde uma aplicação era usada e qual protocolo dada aplicação requeria poderia ser uma tarefa de horas ou mesmo de dias. Documentar seu parque foi uma necessidade indispensável, sobretudo com a acelerada importância que a TI assumia nas empresas.
 
As divisórias da gaveta passaram a ter rótulos para nomear e quantificar o conteúdo.
 
 1990: Gerenciamento de Sistemas Distribuídos
A era da Internet. Nos anos de 1990 tudo assumia um caráter global e a informação foi multiplicada a valores nunca antes imaginados. A limitação dos barramentos e dos processadores somados à necessidade de performance criaram novas técnicas computacionais. A computação distribuída propiciou novas tendências tecnológicas como o Internet Banking, lojas virtuais, ERPs etc. A informação ganhou diversas formas de disseminação e visualização. Os bancos de dados precisaram ser aprimorados para alavancar novos serviços. E tudo isso precisou ser gerenciado de uma forma diferente de como vinha sendo feito.
 
O conteúdo das divisórias foram realocados em gavetas separadas com suas próprias divisórias, e essas permitiram uma classificação mais sofisticada, como cor, tamanho, usabilidade e validade.
 
 2000: Gerenciamento de Serviços
A era da arquitetura orientada a serviço. A TI permeou em todas as manifestações humanas e viver sem ela era impossível, um caminho sem volta. Produto e serviço se aliaram para dar mais opções à sociedade.
 
As gavetas ganharam poder. Elas lavam, passam, consertam e se arrumam.
 
 Pós 2000: A Governança da TI
A era da Governança Corporativa. As empresas passaram a olhar as áreas funcionais como parte de um todo e não somente como receita e despesa. Metas e diretrizes determinadas pela alta direção motivaram seus organismos funcionais a trabalhar por um objetivo comum. Os controles ganharam mais importância como forma de checar o rumo. A TI ganhou uma interface tática com o negócio e transformou a sua autonomia em cooperação.
 
As gavetas passaram a trabalhar juntas para que não faltem pertences no momento em que são necessários e não haja desperdícios, otimizando para isso as suas funções de lavar, passar, consertar e arrumar de forma que fiquem exatamente como solicitado. Elas entenderam que existem por um objetivo comum: o de zelar pelos pertences de uma pessoa para que esses estejam sempre disponíveis quando desejados.
Cleber Sousa

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