Gestão Estratégica Projeto

O verdadeiro valor da informação

Quem de vocês compraria um jornal as 21h?

Pois é, a informação nele contida não teria o menor valor, ainda mais na era da informação rápida e disponível em qualquer lugar. E por que ainda há empresas que passam o mês todo para somente ao final saber quanto foi o seu lucro, suas vendas, a inadimplência, enfim, aquelas informações importantes e que se não forem bem gerenciadas podem inviabilizar o seu negócio.

Bem, não há resposta exata para essa questão, há sim, algumas explicações um tanto convincentes, vamos a elas.

A maioria das empresas na atualidade possuem sistemas de informação para cumprir obrigações legais, por exemplo, emissão de Nota Fiscal Eletrônica, outras para controlar estoque, algumas para o controle financeiro do que se tem a receber ou a pagar, mas a grande maioria apenas registra as informações e cada vez mais aumenta o volume de informações, no entanto, o ciclo “entrada -> processamento -> saída” não se completa chegando a esse último passo com resultados satisfatórios.

Vemos nos ERPs atuais inúmeros relatórios, mas sempre sobre um assunto operacional que nada acrescenta ao gestor uma visão clara “do que está acontecendo”, alguns exemplos são: “Relatório de Movimentação de Estoque”, “Relatório de Faturamento Diário”, “Relatório de Títulos a Receber”, e por aí vai. Há sim casos de “Análise gerencial de vendas”, mas o seu conteúdo nada mais é do que uma lista de vendedores e o valor vendido por ele em um determinado período informado.

O que quero dizer aqui é que há muito mais informação “embutida” em uma base de dados do que a nossa vã filosofia pode imaginar.

Podemos abstrair informações preciosas que, nos dias de hoje com a concorrência e rapidez brutal como as coisas acontecem, podem ser a salvação de uma organização.
Temos que gerenciar hoje uma infinidade de itens diferentes, clientes nas mais diversas localidades do país (ou do planeta em alguns casos), concorrentes que estão a 1 clique de distância, bem diferente da época que tínhamos 2 ou 3 modelos de tênis, 1 ou 2 sabores de goma de mascar, éramos a referência do mercado para um determinado produto (o Zé do Açougue), ou seja, é fisicamente impossível analisarmos toda essa gama de informações “no caderninho”.

Mas somos inteligentes, sabemos como fazer, precisamos apenas de ferramentas, sejam as mais simples como planilhas eletrônicas ou um Sistema de Gestão de Informações com capacidade analítica e algoritmos de inteligência. E é aí que entra a Inteligência de Negócios ou Business Intelligence (BI) como foi batizado nos anos 90 pelo Instituto Gartner. Falar sobre BI é sempre polêmico, encontramos diversos livros ou artigos com o título “O que é BI?”.

Mas a questão é “O que deveria ser o BI?”.

Esse artigo tem por objetivo trazer a tona a questão e criar uma discussão sobre “O que deveria ser o BI?”, porque não há uma definição simples e única para essa questão.
Cada empresa, casa gestor “precisa” de um BI com o que “gera” mais valor ao seu negócio.

Na disciplina de “Teoria Geral da Administração” aprendemos que há que se respeitar “a vocação do gestor”, que vem cheia de convicções e que nada e nem ninguém o fará acreditar de outra forma.
Temos gestores financeiros que focam mais em enxugar a inadimplência, reduzir o prazo médio de recebimento, pagar menos taxas bancárias, já outros preferem criar um processo operacional padrão e apostar no mercado financeiro como uma forma de proteção do seu capital financeiro.
Encontramos empresas do setor industrial que a vocação principal de seu presidente é a área comercial, então eu pergunto, do que adiantaria uma análise profunda da gestão da produção, estoques, logística para esse gestor? Quase nada, ou nada. Ele não “verá” valor nisso.

Nós como profissionais temos a obrigação de entender qual a vocação e a real necessidade do gestor.

Não há mais espaço para tentarmos vender projetos mirabolantes de dashboards com bolinhas coloridas e que piscam quando algo vai bem ou mal.

Temos que ter o foco no resultado que se espera, o que realmente “gera” valor ao negócio que é a informação com consistência, no formato, na hora exata, com a disponibilidade necessária.

O BI é um processo de conhecimento da empresa pelo seu próprio gestor, ele muitas vezes não sabe como o seu sistema ERP calcula o estoque médio, a margem de lucro, o risco do cliente, etc. e a implantação do conceito de Inteligência de Negócio trará, muitas vezes, respostas indesejadas como “a sua base de dados é inconsistente” e temos que ter certeza do que estamos falando e coragem para enfrentar as repostas como “ah, esse BI tá errado”.

Por fim, meus colegas, esse artigo foi apenas uma chamada para aqueles que já estão ou para aqueles que querem se especializar no assunto para uma série de outros que virão onde trataremos dessas questões mais profundamente com aplicação desde técnicas de reunião até a implementação prática.

Agradeço as possíveis críticas, sugestões e comentários que serão matéria-prima para muitos outros papos.

Vamos pensar juntos…

Danilo Gallo

Comentários

2 thoughts on “O verdadeiro valor da informação”

  1. Olá Danilo, obrigado pelo excelente artigo.
    Venho observando – já não é de hoje, as diversas inovações no setor de BI, contudo, com
    baixo aproveitamento.
    Seu artigo me fez refletir sobre o perfil do gestor, suas necessidades e limitações.

    Novamente, Obrigado!

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