O que é Viabilidade? – Parte 1

Depois de um longo período de insistência (e de paciência) do meu nobre amigo Rodrigo Coimbra, finalmente começo a publicar. Acredito que posso contribuir com artigos em algumas áreas na qual tenho atuado nos últimos 20 anos:

  • Viabilidade econômico financeira de projetos,
  • M&A;
  • Inovação;
  • Empreendedorismo;
  • Gestão de projetos/portfólio, e
  • Gestão de processos.

Começamos por viabilidade econômico-financeira de projetos, uma área que tenho grande paixão, já li um bocado, leciono e que gosto de pensar que sei alguma coisa, pelo menos o suficiente para compartilhar como os leitores.

Bem, chega de conversar mole e vamos começar!

Análise de Viabilidade de Projetos

O objetivo desse artigo é definir e conceituar viabilidade, quais os tipos dessa análise, qual a razão de faze-la, suas vantagens, algumas das principais técnicas. De forma a servir como base para os próximos artigos que tratam mais detalhadamente sobre o assunto.

Como o tópico projetos será abordado futuramente, e esse também é o objeto do site, a ênfase aqui será sobre a análise de viabilidade de projetos, ou seja, sempre que se referir a viabilidade de algo, estará referindo se diretamente à viabilidade de projetos, que é aqui o objeto do estudo/análise. Mas nada impede de que o entendimento possa ser aplicado a outras análises, como de processos, de serviços e etc., desde que devidamente resguardada a aplicabilidade da técnica.

Mas afinal o que significa viabilidade? Segundo o Dicionário Michelis, viabilidade é a “qualidade de viável”. Segundo a mesma fonte, a palavra viável significa: “…2 Que pode ter bom resultado; exequível, realizável. 3 Passível de bom êxito“. Então podemos entender que análise de viabilidade de algo nada mais é do que a análise de como algo (projeto, produto, serviço, ideia, solução e etc.) pode ser exequível, pode alcançar bons resultados, pode ter êxito.

Tipos/Formas Análise de Viabilidade de Projetos

Partindo do conceito pode-se analisar a viabilidade de algo (especialmente projetos) sob diversas perspectivas. Existem, dentre outros, os seguintes tipos de análises de viabilidade:

  1. Econômico-financeira;
  2. Técnica ou tecnológica;
  3. Legal;
  4. Operacional;
  5. Ambiental;
  6. Mercadológica (de marketing, ou de mercado);
  7. Política;
  8. Fiscal;
  9. De localização;
  10. Social;
  11. Outros;

Quando se elabora a análise de viabilidade de um projeto, considera-se, a maioria das opções acima quando não todas. Especialmente bancos e fundos de investimento exigem que sejam atendidos vários pré-requisitos, previamente à a apresentação do projeto, para então considerar se este será ou não analisado. Em próximos artigos esse tópico será abordado.

Uma breve descrição de cada tipo de análise de viabilidade:

1) Viabilidade econômico-financeira

A análise de viabilidade financeira tem como finalidade determinar se o projeto tem condições de atender as expectativas e demandas dos investidores, para que a decisão de investir seja tomada ou não. Visa apoiar na escolha da melhor alternativa, ou das melhores e ainda demonstrar se é ou não viável investir.

A análise de viabilidade econômico-financeira compara alternativas de investimento de forma a verificar se determinado projeto tem a capacidade de gerar a recuperação do capital (retorno do investimento) e a sua remuneração (retorno sobre o investimento).

Esse é o tipo de análise de viabilidade que será aprofundado nos próximos artigos.

2) Viabilidade Técnica ou Tecnológica

A análise da capacidade de determinado projeto ser exequível. É onde se verifica se existem recursos técnicos e/ou tecnologia que possibilitam produzir as entregas (produto, serviço ou ideia) atendendo às especificações.

3) Viabilidade Legal

É aquela análise que visa assegurar que o projeto, ou produto e/ou atividade (serviço ou processo) são permitidos pela legislação. Em 99,9% das vezes é efetuada por advogados.

4) Viabilidade Operacional

Muito próxima da técnica, como o próprio nome já diz é uma a análise em que se verifica a viabilidade operacional. Por exemplo, em determinada empresa, ou setor, existem recursos (pessoas, energia elétrica, equipamentos, materiais, matéria prima, insumos e etc), em qualidade e quantidade suficiente, que permitam que determinado projeto/ serviço/ ideia/ etc. seja executado?

5) Viabilidade Ambiental

Muito exigida por bancos, fundos de investimento e órgãos públicos como pré-requisito. A viabilidade ambiental geralmente é apresentada na forma de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Os agentes financeiros e/ou órgão públicos exigem geralmente a Licença Prévia (LP) ou a Licença de Instalação (LI) para só então analisarem o projeto. E para a liberação dos recursos irão exigir a LO, que é a Licença de Operação.

6) Viabilidade Mercadológica (de marketing, ou de mercado)

Essa análise é, juntamente com a viabilidade econômico-financeira, a análise mais importante, e também uma das análises menos executada no caso das pequenas empresas. Mas por que é tão importante? Ora, se não passar no estudo de viabilidade de mercado não há razão para se investir, pois o projeto irá morrer no berço. Então é importante que seja feito uma pré-análise de forma a verificar a viabilidade econômico-financeira previamente, para só então partir para a pesquisa de mercado.

Esse é o tipo de análise que verifica três aspectos:

  • Consumidores;
  • Concorrentes;
  • Fornecedores

Considerando aqueles já existentes e os entrantes.

Essa análise também visa responder às seguintes perguntas:

  • Qual é o mercado alvo:
    • Quem;
    • Onde;
    • Renda;
    • Faixa etária;
    • Nível de educação;
    • etc.
  • Produtos concorrentes:
  • Substitutos;
  • Existentes/novos;
  • Novas tecnologias;
  • Tendências;
  • Produtos complementares;
  • Precificar;
  • Dimensionar o volume produzido;
  • Avaliar a sazonalidade;
  • Definir canais de distribuição;
  • etc.

7) Viabilidade Política

Não é comum em projetos, mas é um tipo de viabilidade, quando se deseja mudar algo na legislação que venha a viabilizar ou aprovar um projeto público. Como por exemplo a construção de uma faculdade pública estadual em uma determinada cidade pode precisar da aprovação de deputados. Mas, e a oposição pode desejar que seja alocado em outra cidade. Então existe apoio suficiente para derrotar a oposição e levar o projeto para a aquela cidade? É apenas um exemplo…

8) Viabilidade Fiscal

Aqui analisa-se o impacto de questões fiscais sobre a viabilidade do projeto, o quanto os fatores fiscais podem influenciar sobre o projeto. Mudanças de alíquota, subvenção, renuncias fiscais, classificação como substituto tributário, recuperação de créditos fiscais, Draw-back, programas de incentivo, e etc. Analisa-se o impacto dos tributos sobre vendas e sobre fatores de produção (insumos e matérias primas, fretes, energia elétrica, serviços e etc.)

Muitos projetos só são viáveis graças a benefícios fiscais, como SUDAN, SUDENE, programas especiais de apoio a determinados setores. Muitos APLs (Arranjos Produtivos Locais) só são viabilizados graças a incentivos fiscais, via renúncia fiscal e etc.

Não confundir aqui com fontes de recursos como os Fundos Constitucionais (FCO, FNO, FNE), FINEP, programas do BNDES e etc. Aqui o enfoque é exclusivamente fiscal, não se trata de fonte de recursos…

9) Viabilidade de Localização;

A localização é um dos fatores mais críticos para a grande maioria dos projetos. A viabilidade de localização geralmente é um fator limitador, pois maioria dos casos determina se haverá a disponibilidade (em quantidade e qualidade suficiente) de recursos para a sua operacionalização. Mão de obra qualificada, matérias primas, insumos, mercado consumidor. Gastos com fretes e carretos de fatores de produção e vendas. Aqui técnicas de programação linear e pesquisa operacional são valiosos aliados.

Há casos em que um player (competidor) só consegue entrar em determinado mercado comprando outro(s) player(s). Mesmo tendo recursos para construir instalações mais modernas e eficientes. Mas se não comprar o concorrente não haverão recursos necessários para a sua operação. O que pode encarecer ou inviabilizar o seu projeto. O que é chamado como crescimento inorgânico, por aquisição.

Para a áreas como a de tecnologia da informação, os impactos podem ser reduzidos, podendo-se virtualizar. Já no caso de apps Android, Apple (IOS) o impacto é mínimo, prendendo-se mais a fatores de tradução/cultura.

As análises acima podem não só ser valiosas para o projeto em questão, como também podem possibilitar identificar oportunidades de negócio.

Razões – porque se fazer a análise de viabilidade

Embora possa parecer óbvio, muita gente não sabe o principal objetivo de se fazer a análise de viabilidade. Muitos empreendedores, muitos mesmo só fazem os estudos de viabilidade para captar recursos juntos às fontes lançadoras. Mas no fundo uma grande maioria não faria a análise de viabilidade se tivesse a disponibilidade de recursos para os investimentos necessários. E isso é uma das principais razões pelas quais muitos empreendimentos não chegam sequer ao 5° ano, engrossando as estatísticas de fracassos no IBGE.

São várias as razões que justificam a elaboração de análises de viabilidade, dentre elas podemos citar:

  1. Captar recursos junto a fontes de financiamento (aqui são projetos e/ou business plans para bancos, fundos, investidores);
  2. Verificar/assegurar a viabilidade (elevando as chance de sucesso);
  3. Definir o mercado (clientes, concorrentes, fornecedores)
  4. Analisar riscos e alternativas;
  5. Comparar alternativas de investimento e outros fatores;
  6. Definir o tamanho/porte do projeto;
  7. Definir localização;
  8. Definir tecnologia;
  9. Verificar operacionalização;
  10. Assegurar a legalidade;
  11. Reduzir/mitigar impactos ambientais;

Geralmente a análise de viabilidade é utilizada para comparar alternativas de investimentos. Estas são confrontadas dentro de cenários previamente definidos. De forma a possibilitar a escolha da alternativa que possa melhor atender as expectativas do empreendedor/investidor. Reduzindo risco, otimizando o uso de recursos.

Basicamente as principais vantagens são:

  • Otimizar/racionalizar o uso dos recursos;
  • Reduzir/mitigar os riscos;
  • Alinhar/definir as expectativas;
  • Melhorar as decisões (resultados);
  • Maximizar o retorno;

Algumas das Principais Técnicas

As técnicas usadas dependem de cada tipo de análise de viabilidade. Em próximos artigos, esse tópico será abordado com profundidade, conceituando e exemplificando cada uma das técnicas abordadas. Apesar de existir um grande leque de opções de técnicas que podem ser utilizadas, abaixo seguem algumas das mais utilizadas:

  1. Análise de Investimentos (análise de fluxo de caixa: VPL, TIR, ROI, Payback, MTIR);
  2. Análises de elasticidade;
  3. Análise de Cenários;
  4. Testes de sensibilidade;
  5. Simulações;
  6. Técnicas de priorização;
  7. Análise de Relação Custo Volume Lucro (break-even point, ou ponto de equilíbrio);
  8. Estatística Aplicada (estatística descritiva, regressão linear, regressão múltipla e etc.);
  9. Programação Linear
  10. Pesquisa Operacional;
  11. Teoria das Restrições Reais (TOR);
  12. Técnicas de pesquisa de mercado;
  13. Entrevistas;
  14. Brainstorming;
  15. Etc.

Existe uma infinidade de referências (muitas muito boas, excelentes) sobre esses tipos de viabilidade. Não há aqui a pretensão esgotar o assunto, mas apenas servir como mais fonte de aprendizagem. De forma a permitir que o leitor a conheça os principais tipos/formas de viabilidade, a razão de analisar e as principais técnicas de análise.

Em próximos artigos serão tratados com profundidade vários dos assuntos aqui abordados. Até mais.

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Marco Enes, PMP
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