PMO Projeto

Metodologia do Farol Vermelho

Muitos Gerentes Funcionais que reportam evolução física e financeira de atividades atreladas a um cronograma de projeto costumam adotar a metodologia do Farol Vermelho. Essa metodologia é velha amiga do mercado corporativo e ‘facilita’ a vida de muitos que não querem gastar tempo e esforço em planos e mais planos, análises de tendência, avaliações de risco e impacto, etc. A metodologia é muito simples: “devo agir quando o farol ficar vermelho; minha missão passa a ser torna-lo verde!”. Isso quer dizer que qualquer preparo prévio é pura bobagem. E quem disse que é necessário saber o que está fazendo, ou ainda o que está acontecendo? Basta fazer com o que o Farol fique verde.

Ninguém me disse, no início da minha carreira, que a vida de um Gerente de Projetos seria fácil. Não estou aqui ‘reclamando’ isso. Estou apenas ficando preocupado por perceber que essa prática está se tornando moda, ou pior, exigência para atuação no mercado. O curioso é que essa tendência está começando a servir como trampolim de carreira. É, é verdade isso. Tem gente fazendo corpo mole para conseguir 15 minutos de fama frente ao poder executivo da companhia. Veja abaixo algumas filosofias que tornam essa metodologia tão arque inimiga e querida, dependendo do caso:

  • Ninguém está preocupado em saber o porque o Farol está verde. Quais são as lições aprendidas que podem servir para ajudar a recuperar outro indicador ou atividade do projeto. Se está verde está bom, não precisa discurso para isso;
  • Farol Vermelho significa que existe um holofote em você. Parta para a ação, asap, e não se preocupe em fazer algo sustentável, afinal estamos buscando ficar em zonas de sombra;
  • Passar o Farol do vermelho para o verde rende muitos elogios e promoções. Portanto não se preocupe com futuras investigações para saber por quantas vezes aquele assunto esteve no farol vermelho, o que interessa será sempre torna-lo verde;
  • Saber o porque o farol deixou de ser vermelho e passou a ser verde é pura perda de tempo. Portanto, omitir informações ou ‘ajustar’ pequenas coisas para que o mesmo fique verde não faz mal a ninguém. ‘afinal, todo mundo faz isso!’;

Permitam-me dizer que obviamente esse artigo não retrata 100% da realidade, ou ainda, ninguém gosta de admitir que trabalhe dessa forma. É apenas uma reflexão, que por vezes pode acometer nosso dia a dia profissional.

Diogo Magalhães

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