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Internet das Coisas e Industria 4.0 – entenda o conceito e as implicações

Você costuma pensar se as previsões de avanços tecnológicos que nos bombardeiam serão realmente verdades nas próximas décadas? Será que no futuro nossas casas serão realmente mais inteligentes e os carros autônomos? E como será o nosso trabalho? E como será nossas empresas? Serão conforme a tal propalada Industria 4.0?

Preparei dois artigos com insights do que ando aprendendo sobre as novas tecnologias e revoluções industriais que avançam para mudar o mundo, mas rápido do que pensamos. Resolvi dividir estas novidades em dois assuntos, este falando sobre a Internet das Coisas e o próximo sobre a revolução Industrial 4.0, até porque ambas estão interligadas.

Bom, para começar tenho lido muito sobre a tal Internet das coisas (Internet of Things), para quem ainda não sabe, trata-se do conceito de um ecossistema tecnológico em que objetos estão interconectados. Se você acha que hoje estamos muito conectados, este é o futuro em que estaremos 100% envolvidos com a tecnologia. Duvida?

Imagina o seguinte cenário: você está no transito e um carro na sua frente avisa ao seu que logo vai se formar um engarrafamento, enquanto isso você usa um relógio no seu punho que mede sua pressão arterial e seus níveis de stress, informando seu médico que com base nesta informação, te retorna lembrando de comer comidas saudáveis, e então você confere uma tela no seu carro com monitoramento domestico que recebe um lembrete da geladeira te lembrando da falta de legumes e frutas, nesse mesmo momento o automóvel te mostra o supermercado mais próximo e quanto tempo vai levar pra chegar lá.

Parece ficção? Pois nesse conceito de mundo, tudo o que nos cerca estariam conectados com chips, conectores, sensores e antenas que conversam entre si para levar conforto, praticidade e informação para as pessoas, coisas do cotidiano se tornariam inteligentes e ampliariam suas funções, uma simples lixeira por exemplo poderia ser automatizada para otimizar a coleta de lixo e reciclagem, ou por exemplo, nas casas automatizadas onde você poderia ter controle de quase tudo via celular: temperatura, iluminação, limpeza, manutenção, reabastecimento etc.

Para muitos isto não passa de utopia de filme de ficção, mas em alguns países isto já se faz presente como a Coreia, Dinamarca, Suíça e EUA, a previsão é que em 2020 iremos viver em um mundo com mais de 50 bilhões de dispositivos interconectados, e a tendência é crescer cada vez mais.

Hoje é normal termos o computador, o celular e o tablet conectados com a internet, daqui ha alguns anos, será incontável o número de dispositivos conectados com a internet. Hoje em dia já existem óculos (Google Glass, etc) que não servem apenas para enxergar melhor, mas tirar fotos e vários recursos através de aplicativos.

Temos relógios que mostram as horas, mas recebem mensagem, tocam música, tiram fotos e cuidam da saúde, monitorando seus dados vitais.  Aqui no Brasil, os GPS sociais que sugerem um bom caminho através da interação dos usuários e dados de satélite, são um bom exemplo de como já estamos usando a IoT (Internet of things).

Sem falar do conceito de computação em nuvem (em inglês, cloud computing), que até bem pouco tempo atrás parecia uma verdadeira utopia, mas atualmente é plenamente utilizada por pessoas e empresas, e muitos usuários resistiam, que se refere à utilização da memória e da capacidade de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da Internet, seguindo o princípio da computação em grade.

Mas será que tudo irá funcionar as mil maravilhas?

E qual o perigo desse crescimento vertiginoso da IoT? Bom, se você lembrar dos ataques cibernéticos mundiais ocorridos em outubro de 2016 e início de 2017, onde os hackers se utilizaram de objetos conectados à internet pra fazer este ataque, sem mencionar os ataques mais centralizados que ocorrem todos os dias ao redor do mundo, tornando-se ameaça até no resultado de eleições presidenciais (vide a eleição do presidente Donald Trump nos EUA), o primeiro questionamento de toda esta conectividade se refere à questão de segurança. Quanto mais falamos no avanço da inteligência artificial e de como ela irá se tornar corriqueira no nosso dia-a-dia com uma conectividade cada vez mais abrangente, mais vou me lembrando da Skynet do Exterminador do Futuro (será que estou vendo muito filme?)

Deve estar pensando: que exagero!

Ok, quando tratamos de computadores, celulares, tablets, até que os consumidores em geral se preocupam com a proteção, instalando antivírus, firewall, etc, mas e quando o consumidor começar a comprar um, carro, uma máquina de lavar, geladeira, um relógio ou uma casa cheia de dispositivos inteligentes?? Será que todos terão a mesma preocupação? Você pode argumentar que os próprios fabricantes irão implementar medidas de segurança, será mesmo?

Em um mercado cada vez mais competitivo, será que as empresas para “baraterar” deixarão o sistema operacional mais simples, e o consumidor para pagar mais barato acabarão comprando produtos sem/com baixa segurança? Quem de vocês realmente implementou medidas de segurança no modem que conecta você ao provedor de internet da sua casa? E é aí que os hackers se aproveitam…. Tanto o mercado quanto os consumidores precisam pensar sobre isso, ou seremos vítimas da nossa própria ambição tecnológica.

Industria 4.0 – Você está preparado?

Anteriormente, onde tratei da revolução que a Internet das Coisas irá causar daqui há alguns anos, fiz vários questionamentos e expus minhas incertezas com relação a este avanço tecnológico, já a empresa dita 4.0 (Industria 4.0), é outra revolução que está acontecendo e se expandindo no mundo. E o que esta revolução significa de uma forma geral?

Primeiro, precisamos entender do que se trata a Industria 4.0, este termo surgiu para definir a chamada 4ª (quarta) revolução industrial, sim, porque já tivemos três: a primeira que se iniciou a partir da invenção da máquina a vapor, a segunda quando Henry Ford nos anos 20, iniciou o processo de fabricação seriada/ linha de montagem e a introdução da eletricidade, e por fim, a terceira e mais recente que foi a expansão da eletrônica, informática e automação. A revolução a que me refiro neste artigo, tem a ver com o desenvolvimento cada vez mais acelerado da Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Industria Conectada e Fábricas Inteligentes.

E como é que uma indústria passa a ser 4.0? É algum tipo de certificação? Não, uma empresa se torna 4.0 a partir do momento que aproveita a eliminação de um ou mais limites entre os mundos digitais e o físico e o biológico, para alterar sua cadeia de valor. Vamos aos exemplos para ficar mais claro:

Uma empresa automotiva está criando valor para seus clientes por meio de um processo de atualização constante de seus veículos, mesmo depois de vendidos.

Por exemplo, um dos seus veículos, após update, ganhou recurso de park assistance.

Uma outra empresa de bens de consumo está criando valor na sua cadeia de distribuição por meio da eliminação de desperdícios.

Esta empresa identificou cada um de seus produtos com um “id” único. Utilizando sensores em seus produtos, em cada elo da cadeia o produto é verificado, passou a rastrear a localização de cada um deles, com esta informação a empresa passou a conhecer não só seus distribuidores, mas seus clientes finais, assim ela consegue planejar sua fabricação e distribuição de seus produtos de forma muito mais eficiente.

Já uma empresa alimentícia fabricante de cereais matinais, que está agregando valor aos seus clientes por meio da flexibilidade da sua fabricação, percebeu que seus clientes costumam combinar vários de seus produtos no café da manhã em receitas particulares, e ofereceu aos seus clientes a possibilidade de adquirir seus produtos já misturados, oferecendo a receita do cliente. Esta é a diferenciação pela customização em massa.

Esta revolução que se inicia, incentiva e preocupa muito a todos, é diferente das anteriores, quando a sociedade teve décadas para se adaptar, nesta revolução tudo está acontecendo mais rápido. Neste sentido, os governos, as empresas e a sociedade precisam se organizar para definir qual papel o país precisa ter nesta nova realidade? Qual nova proposta de valor as empresas esperam levar para o mercado?

Quais são as mudanças necessárias para recapacitar a força de trabalho para a indústria 4.0? Qual será a nossa própria postura com relação a esta mudança? Antecipar? Acompanhar ou seguir?

Temos vários exemplos na indústria de empresas que não perceberam as mudanças que estavam por vir, falindo sem acompanhar as novas tendências.

Em 1998 a Kodak tinha 170 mil funcionários e vendeu 75% de papel fotográfico vendido no mundo, em poucos anos abriu falência com o advento da fotografia digital, será que isso poderá acontecer nos próximos anos com diversas industrias com o advento da indústria 4.0?

O software irá destroçar a maioria das atividades tradicionais nas próximas décadas?

O Uber é apenas uma ferramenta de software, não são proprietários de carros, mas são a maior frota de táxi do mundo. Qualquer indústria pode ser “uberizada” a qualquer momento. O pessoal do Airnb não são proprietários de rede de hotéis, mas estão se tornando a maior rede do mundo.

São pequenos exemplos de vários serviços que estão surgindo a cada dia, serviços que estão facilitando nossa vida enquanto ceifam empresas, as famosas “start up’s”, que como costumam dizer os gurus de mercado, são disruptivas, ou seja, chegam para quebrar paradigmas no setor que competem.

E isto não é uma prática nova, há milhares de anos isto vem acontecendo, mas foi depois da revolução industrial que a coisa ficou séria.

A quarta revolução não é só uma revolução industrial, é também uma revolução social. A robótica vem mostrando ser dez vezes mais útil para o empresário do que o ser humano, ela é eficiente, não tem emoções, não tem expectativas a serem gerenciadas, e várias profissões irão se extinguir em breve: taxista, caixas, operador de telemarketing, agricultor/trabalhador do campo, funcionário de gráfica, etc.

E não adianta se revoltar, pois trata-se de movimento sem volta, lembrando que estes movimentos sempre trouxeram desemprego momentâneo. A introdução das máquinas deixou um monte de pessoas sem ter o que fazer no campo, então elas foram para a cidade trabalhar nas fábricas, mas quando as máquinas começaram a tirar o emprego delas nas fábricas, elas foram para o setor de serviços, e essa foi a receita do progresso econômico até aqui: a tecnologia tirava o emprego em um primeiro momento, pois aumentava a produtividade, isto é, uma pessoa passava a fazer o trabalho de várias pessoas, toda esta produtividade gerava mais riqueza e esta riqueza dava chance para mais empregos, tudo parecia indo bem, mas agora as coisas estão diferentes.

A partir do ano 2000, a produtividade começou a crescer mais do que a criação de novas vagas, quanto mais tecnologia menos emprego, os países de primeiro mundo são bons exemplos disso, pois tudo acontece primeiro neles, é só reparar como eles sofrem com desemprego que não voltam por nada aos níveis anteriores da crise de 2008, e talvez nunca voltem.

Há quem diga que não se trata de uma grande recessão, mas sim de uma grande reestruturação. Como mencionei anteriormente, as mudanças ocorrem rápidas demais.

Se antes uma carreira demorava um bom tempo para perecer, agora elas somem num estalar de dedos.

Veja o exemplo das lojas de computadores, nos anos 80/90 tiveram um “boom”, cada esquina tinha uma, até que o computador ficou bem barato, lojas como Fnac e Amazon se proliferaram, unindo o fator econômico mais favorável à reposição junto com o desenvolvimento do “delivery”.

Aliás, por falar em Amazon, quando surgiu em 1994, ela era um site de vendas de livros.

Com o tempo, foi completando sua oferta de produtos, tornando-se a maior varejista da internet, ao mesmo tempo em que se lançava em novos mercados, como serviços de nuvem, fabricação de eletrônicos e streamingde vídeo.

Este ano comprou a Whole Foods Market, anunciando que irá utilizar sua expertise em logística para delivery de itens de mercado, ou seja, os Carrefour e Multimarket da vida que se cuidem.

Com a revolução da inteligência artificial e start ups revolucionárias, outro agente criador de desemprego é o trabalho gratuito, pois quando você paga uma conta pela internet, ou compra algo pela internet, você está trabalhando de graça e deixando de dar emprego a um monte de gente. E quanto mais tecnologia, mais trabalho grátis.

O Waze, Facebook, Instagram e até esta rede social que você está lendo este artigo existe e faz sucesso por causa de quem usa e atualiza a rede de graça, fazendo um trabalho gratuito como este artigo.

Posso lhe garantir que a preocupação dos trabalhadores brasileiros com reforma trabalhista é café pequeno perto da disrupção que novas tecnologias e modelos de trabalho estão impactando nas profissões.

Análises realizadas do impacto da Indústria 4.0 na manufatura alemã pelo BCG (Boston Consulting Group) mostram que o crescimento econômico que será provocado vai levar a um aumento de emprego em 6%, durante os próximos dez anos, como podemos observar na figura abaixo.

Mas há um outro lado, se os trabalhadores largaram o campo, foram para as fábricas e depois para o serviço, alguns dizem que acabará impulsionando uma onda de empreendedorismo como sendo a única alternativa.

Seria a era do fim do emprego e da nova era de empreendedorismo em massa? Profissões “marginalizadas” como os freelancers e, até mesmos os autônomos são realidade cada vez mais presente no mercado.

Nos USA por exemplo, a projeção é que nos próximos 10 anos 50% da mão-de-obra seja composta por esses profissionais. A Europa, Japão e outros países já caminham nesta direção.

A mão-de-obra terá que ser especializada e dinâmica, o que, no caso do Brasil enfrentamos um grande problema. A cultura do trabalho “fichado” está enraizada, quase uma imposição.

O acesso à educação é outro grande problema. Não estamos preparados, e nem sei como a grande massa vai lidar com essa situação, que pode acreditar, vai chegar muito forte aqui.

Mas será que o movimento das massas trabalhadores para o empreendedorismo, trabalhos autônomos e pontuais, não diminuirão o consumo e a fonte de crescimento do próprio capitalismo em que vivemos?

Ou surgirá uma nova ordem econômica que ainda desconhecemos?

Só que o futuro está muito próximo! E você, está preparado para estas mudanças?

Segue abaixo link para algumas matérias que usei de referência para este artigo:

https://www.bcgperspectives.com/content/articles/engineered_products_project_business_industry_40_future_productivity_growth_manufacturing_industries/

Estratégia para a Indústria 4.0 e Futuras Ocupações

40% of America’s workforce will be freelancers by 2020

http://www.bbc.com/news/business-36321826

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Edilson Barros, PMP

Engenheiro Mecânico, com MBA em Gestão por Projetos e Gestão Empresarial pela FGV, além de Pós Graduação em Engenharia de Petróleo e Gás pela FUNCEFET. Experiência como Gerente de Engenharia em Indústrias Multinacionais, com foco em desenvolvimento de produtos e transferência de tecnologia, nos últimos anos atuando como Gerente de projetos nacionais e internacionais, relacionados ao fornecimento de equipamentos para os setores de Petróleo e Gás, Saneamento, Indústria Química e outros diversos setores.


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