GP, orientação a resultados e pessoas

Entrega de produtos e serviços dentro do prazo, custo e qualidade esperada são os principais direcionamentos do gerente de projetos. É preciso entregar resultado.

Para isso, técnicas, tempo e recursos são utilizados, mas o maior desafio da gestão são as pessoas!

No final do ótimo livro “Gerente também é Gente”, de André B. Barcaui, tem uma imagem que para mim sintetiza tudo o que é realmente importante na vida do gerente de projeto. Mostra VALORES de um lado, PESSOAS do outro e, no centro, o coitado do GP!

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Essa relação desperta um enorme conflito pois o contratante (diretor, cliente, etc) predominantemente está focado no resultado, podendo não se preocupar tanto com as pessoas. Por outro lado, as pessoas tendem a focar nas suas próprias necessidades e podem não se identificar ou se sensibilizar com os resultados. E é o GP precisa resolver esse “trade-off”!

Fazendo um paralelo à imagem do livro, penso que o GP precisa funcionar com um prisma, sendo o ponto focal que capta toda essa energia e então a converte em resultado.

Os clientes

Sim, seus clientes querem resultado e contratam um GP para conseguir isso. Eles não são bonzinhos, eles não querem saber. Dão tempo para você mapear o escopo, fazer o plano, viabilizam a equipe… não querem desculpas!

É crucial saber lidar com essa pressão onde negociação e comunicação são habilidades chave. Já no inicio do projeto é necessário alinhar o plano de maneira que se consiga criar um acordo que atenda a todos de uma maneira justa. O plano de projeto tem que ser aprovado por todos, clientes e equipe de projeto.

Infelizmente, e não raramente, clientes e sponsor irão impor um plano – ainda falta maturidade das empresas – e isso precisa ser entendido e acertado com a equipe. A opção de não aceitar sempre existe, mas você e a equipe deverão ponderar e administrar as consequências tanto do sim quanto do não e entender que, depois da decisão, não adiantará chorar.

As pessoas

Sim, elas são únicas! Elas não funcionam como na planilha de recursos do MS-Project, elas não tem sempre os mesmos campos para serem preenchidos e o pior de tudo, elas tem necessidades :-).

É crucial monitorar o projeto, perceber os desvios e relacionar isso as pessoas. Monitorar o projeto é também monitorar a equipe, é preciso dosar a pressão. Nem todo atraso significa atraso no projeto. É preciso focar no que é realmente importante e comunicar sempre para manter todos informados, lembrando dos compromissos assumidos e cobrando daqueles que não estão cumprindo.

O gerente de projeto não é pai ou mãe de ninguém, ele precisa organizar e fazer de tudo para a equipe conseguir alcançar o resultado esperado. Quando alguém está se desviando do plano, é preciso entender o motivo, ajudar (se possível), pedir ajuda para a equipe. Mas poderão haver situações onde será necessário tirar a pessoa da equipe e o GP não pode fugir dessa responsabilidade.

Apesar de ter tipo dito que o GP não é pai ou mãe de ninguém, é preciso reconhecer que as pessoas trazem dificuldades, traumas e problemas de relacionamento para o ambiente de trabalho. Inconscientemente uma pessoa pode atribuir comportamentos ou sentimentos reprimidos na figura do GP ou de outra pessoa da equipe, sempre que esse comportamento for percebido é necessário mostrar que não é verdade. Isso pode aparecer na pratica comum de rotularmos as pessoas (“ah! ele é pessimista”; “ah! ele é preguiçoso”), é necessário estar atento e combater esses rótulos.

Para se chegar no resultado esperado de um projetos o gerente de projeto precisa suar a camisa e não é fácil. Não é apenas técnica, não é apenas liderança e não apenas conhecimento do negócio. É tudo isso junto!

É crucial buscar o conhecimento nos grupos de competências de técnica, de negócio e de liderança. Mas também é necessário buscar o autoconhecimento, para que você reconheça seus pontos fracos e limitações conseguindo, assim, gerenciar projetos, pessoas e principalmente entregar o Resultado.

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Rodrigo Fracasso, PMP
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