Esse gerente de projetos de TI criou uma nova habilidade e conseguiu uma promoção

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Você sempre seguiu as regras. Faz um bom trabalho, entrega o que foi pedido, contribui para melhorar o resultado da sua área e trabalha até mais tarde se necessário. Então em algum momento surge uma dúvida na sua cabeça: o que eu posso fazer para conseguir uma promoção?

Vários caminhos são possíveis: fazer uma certificação, cursar um MBA, estudar uma nova ferramenta ou método, etc.

Eu acabei descobrindo que todo o meu conhecimento técnico não era suficiente para conseguir uma promoção. E quem me mostrou isso foi justamente a pessoa que poderia me promover: o meu chefe.

O que ele disse me deixou de boca aberta.

Só pra contextualizar, quero te explicar que eu já tinha certificações (inclusive a PMP), fazia um bom trabalho, era muito bem avaliado, estava sempre estudando algo novo para acrescentar no meu conhecimento, mas eu não estava conseguindo a promoção que eu queria. O tempo estava passando e comecei a me questionar o que eu estava fazendo errado. Eu sabia que mais conhecimento técnico não era a solução, pois já era o mais bem avaliado da minha equipe.

Então, numa reunião de feedback eu perguntei diretamente  para o meu chefe: “Porque eu não estou  conseguindo uma promoção?” Com toda a tranquilidade ele olhou pra mim e disse “Você precisa saber lidar melhor com as pessoas.”

Aquilo ali fez algo “clicar” na minha cabeça.  Senti a mesma sensação de quando eu estava na faculdade de engenharia, horas olhando para a mesma equação diferencial sem encontrar a solução e de repente a resposta vem a tona  e tudo se resolve. E lembro que a solução era sempre muito simples. Algo que encaixava perfeitamente e me fazia chegar no resultado correto.

Já que mencionei aqui que sou engenheiro, vou explicar porque a relação com as pessoas era a variável que faltava para a solução da minha carreira.

Combustível sem oxigênio não gera fogo. O combustível nós podemos adquirir. Podemos comprar um saco de carvão e levá-lo pra casa. E o oxigênio está aí, mas é invisível. Quando tentamos criar fogo em um ambiente fechado, raramente temos sucesso. Aliás, é por isso que em muitas churrasqueiras de alvenaria existe uma portinhola, que abrimos para deixar entrar mais ar no compartimento onde está o carvão e facilitar o fogo. Bons assadores sabem como posicionar o carvão de forma a receber mais ar e criar fogo rapidamente. Sou carioca, mas morando aqui em terras gaúchas tive que aprender alguma coisa sobre a tradição do churrasco. 🙂

Agora imagine que o combustível é o seu conhecimento técnico. Você pode adquirir mais dele estudando, lendo livros, fazendo cursos, etc. Bem, agora temos combustível, mas será que a quantidade de oxigênio que temos é o suficiente para criar uma chama forte? Agora imagine que o oxigênio é a sua relação com as pessoas no trabalho. É algo invisível, que não pode ser medido por uma prova de certificação, mas que sem uma boa relação com as pessoas, o seu conhecimento técnico fica apagado.

Sempre gostei de estudar, até porque pra ser engenheiro tem que gostar muito de estudar, então passei a estudar as pessoas da minha área que eram promovidas e como se relacionavam com outras pessoas no trabalho.

Lembra do filme Matrix? Tem uma cena no filme que um “operador” está sentando em frente a uma tela com o “código” da matrix. O personagem de Keanu Reeves, “Neo”, então pergunta para o operador: “Você consegue entender esse código?” O operador responde que ele nem vê mais o código, só vê louras, morenas, etc. 🙂

Bem, vamos voltar ao nosso assunto aqui. O fato é que eu comecei a ver as relações interpessoais das pessoas de sucesso como um código, que eu não entendia claramente no início. Eu sabia que havia algo por trás daquilo, algo que quem sabia como usar esse código usava isso para conseguir diversos resultados no trabalho, como por exemplo: ter o reconhecimento pelo trabalho feito, ser escutado, ter credibilidade, ser visto como um líder, entre outros. Tudo udo através do relacionamento interpessoal.

Apesar de eu ter uma boa relação com muita gente no trabalho, passou a ficar claro pra mim que eu precisava de algo mais. Precisava de uma estratégia para aplicar nas relações com as pessoas no trabalho que gerasse um resultado rápido: a minha promoção.

Então eu li livros, muitos livros. Lembra que eu disse que gostava de estudar? Bem, mas não eram livros técnicos, eram livros de psicologia. Se meus amigos me vissem lendo esses livros, no mínimo iam achar estranho. Eram livros de inteligência emocional, influência, persuasão, e até sobre vendas!

Passei a perceber que eu deveria agir de forma diferente em várias situações. Alguns exemplos:: quando eu colocava uma idéia para as pessoas da minha área, essa idéia não era levada pra frente; Muitas vezes me interrompiam sem que eu terminasse de explicar; Algumas pessoas difíceis me tratavam de uma forma que eu não gostava e faziam isso repetidamente; Meus  clientes não entendiam como a área de TI funcionava e era difícil negociar com eles; Eu não recebia o reconhecimento que eu merecia pelo meu trabalho, apesar de todo o meu esforço.Era difícil para mim fazer com que as pessoas do meu time cumprissem prazos e  Eu já havia trocado de empresa duas vezes e vivenciava as mesmas situações, só que com pessoas diferentes. Eu sabia que se eu fosse mudar de empresa, agora precisaria ir já sabendo como lidar com todas essas situações, ou veria a mesma novela novamente.

Comecei a aplicar nas pessoas do meu trabalho tudo o que ia aprendendo com os livros. Errava mais do que acertava, mas quando acertava eu aprendia o que funcionava e a partir daí aplicava mais vezes e ia ajustando a tática de forma que eu pudesse usar quando quisesse em  determinada situação. Eu fazia da seguinte forma: criava um processo com  alguns parâmetros: a situação em questão, as pessoas envolvidas e o meu objetivo. Então eu “rodava” esse processo aplicando uma tática específica, que geralmente envolve um “script”, ou seja, algo que eu deveria falar para me posicionar naquela situação e obter o resultado que eu queria.

Com essa experiência criei um mapa mental (mindmap) com todas as táticas, que é um diagrama para organizar as idéias. (Olha aí a cabeça de engenheiro funcionando novamente.) Eu comecei então a entender esse “código” e a usá-lo para controlar diversas situações no trabalho.

Consegui a minha tão desejada promoção 🙂

Pra melhorar, qualquer habilidade que a gente construa em nós mesmos passa a ser cumulativa, ou seja, você vai evoluindo cada vez mais e “passando de fase”. Chega um momento em que ficamos tão bom, que usamos essa habilidade para conseguir muito mais do que queríamos inicialmente.

Lembra que falei  do filme Matrix? Se você ainda não viu o filme pule esse parágrafo, pois aqui vem um grande spoiler onde vou contar o final do filme. Tá aqui ainda? Então lá vai… No final do filme, Neo está no corredor do andar onde estava buscando a saída (o telefone), leva um tiro e levanta novamente.  Ele se dá conta da habilidade que possui e ao se deparar com 3 agentes passa a “enxergar” o código, ou seja, passa a entender como tudo funciona por trás daquela imagem que parecia antes ser o normal. Com isso, adquire a habilidade de alterar esse código para fazer que as coisas sejam do seu jeito.. Foi assim que eu me senti. Não estou dizendo que eu sou o “um” (“the one”), muito longe disso. Mas esse é um exemplo de engenheiro para explicar como eu me senti.

A cada momento que falamos com alguém no trabalho, enviamos um email, entramos em uma reunião, nos relacionamos, estamos construindo a nossa reputação e se fizermos isso com estratégia focada nos resultados que queremos, podemos atingir nossos objetivos mais rápido e com menos esforço. E aqui vai uma dica: o segredo está nos detalhes.

Aqui vai um exemplo rápido: antes de ir para uma reunião onde eu iria propor algo, eu conversava com todos os envolvidos, ou seja, as partes interessadas que poderiam rejeitar minha proposta e influenciava esse pessoal de forma que eu já tinha o “sim” antes mesmo de entrar na reunião. “A guerra é vencida antes mesmo de se pisar no campo de batalha”, como disse Sun Tzu no livro “A Arte da Guerra”. É simples e requer apenas uma conversa rápida com as pessoas que você identificou que precisam aprovar sua idéia. Lembra que eu falei dos “scripts” que criei? Esse é um exemplo onde eu usei muitas vezes esses scripts para conseguir um “sim” de todo mundo.

Algo que passou a ficar claro pra mim eram os erros que diversas pessoas cometiam no trabalho.  Erros que eu mesmo já havia cometido e agora eu conseguia não só enxergar isso, mas sabia como agir para conseguir respeito, reconhecimento, credibilidade, apoio e tudo o que é necessário para alcançar a excelência profissional.

Depois de 8 anos estudando, praticando e ajustando essas táticas eu resolvi escrever um livro para que todo mundo possa também aplicar isso nas suas vidas profissionais. O livro é o Manual Prático na Influência Social no Trabalho e a versão digital pode ser obtida aqui: Manual Prático da Influência Social no Trabalho

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Marco Enes, PMP
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