Governança

Do gerenciamento à governança em em cinco partes – 3/5

 

Na PARTE 1 1e na PARTE 22, pudemos ver que a TI alcançou uma importância universal, enraizou-se nos costumes humanos, participou fortemente dos processos empresariais e garantiu seu lugar na estrutura organizacional como elemento do negócio.Nessa terceira parte, vou conceituar as transformações que a TI sofreu ao longo de sua história, desde seu emprego como simples ferramenta de trabalho até o seu papel insubstituível nas decisões de negócio.
 
Boa leitura.

Parte 3 – O gerenciamento da TI

 
O gerenciamento da TI surge no cenário evolutivo da computação como uma consequência da complexidade que se alcançou nas corporações. Sallé (2004) aponta a TI como um elemento essencial da corporação, a ponto de existirem algumas modalidades de negócios incapazes de viver sem ela. A função da TI sofreu mudanças ao longo do tempo e, por conseguinte, a forma como passou a ser gerenciada também mudou. Mathias Sallé (2004) apresenta três estágios da função da TI ao longo do tempo (Tabela 1).
 
 
 
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O estágio como Provedor de Tecnologia é o estágio inicial assumido pela TI, quando seu foco limita-se aos domínios da tecnologia, não se envolvendo com o negócio. No estágio seguinte, a TI já ampliou sua visão e enxergou os domínios do negócio, mas ainda focada em seus domínios tecnológicos. No terceiro e último estágio – apresentado pelo autor como um cenário futuro – a TI e o negócio se fundem, sendo quase impossível entender quando um processo é de TI ou de negócio. Nesse último estágio, as ações são conjuntas e direcionadas ao negócio (Figura 1).
 
 
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Magalhães e Brito (2007) abordam o tema observando a evolução do gerenciamento em função do tempo histórico. Para isso, ilustra o avanço tecnológico inserido no contexto da evolução do gerenciamento em função da dependência do negócio à TI (Figura 2).
 
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Pela temporalidade histórica, Magalhães e Brito3discordam de Sallé4 quando identificam que o termo gerenciamento surgiu na TI como Gerenciamento de Sistemas na década de 1970. Para Sallé, a década de 1970 é tida como uma era obscura para o gerenciamento da TI. Ambos, entretanto, concordam quando apontam a evolução do gerenciamento como resultado da dependência que as organizações criaram a partir da TI. Para Magalhães e Brito, essa evolução agregou à TI atividades importantes e que trouxeram vantagens competitivas ao negócio. Tais atividades são:
  • Desenho
  • Planejamento
  • Implementação
  • Operação
  • Suporte

Ainda segundo eles, cada uma dessas atividades de gerenciamento direcionam a TI para os seguintes objetivos

  • Garantir e aumentar a disponibilidade da infraestrutura da TI;
  • Elevar o nível dos serviços prestados;
  • Permitir flexibilidade no atendimento da demanda;
  • Diminuir os efeitos das mudanças;
  • Aumentar a eficiência na resolução dos problemas;
  • Reduzir os custos das falhas;
  • Diminuir os custos dos serviços de TI.
Além do legado gerencial atrelado à evolução da TI, outro fator relevante contribuiu significativamente para a consolidação das práticas gerenciais na TI: os altos investimentos na área. O gerenciamento da TI passou a ser estratégico para a tomada de decisões nas empresas, não somente para garantir o alinhamento ao negócio, mas sobretudo para controlar o seu custo. Segundo o Gartner Group, Inc., entre 60 e 90% do TCO (Total Cost of Ownership – Custo Total de Propriedade) da infraestrutura de TI destinam-se aos esforços de gerenciamento e suporte (MAGALHÃES; BRITO, 2007, p. 80).

Os investimentos em tecnologia vêm sendo inegavelmente inflados e já representam boa parte do orçamento das corporações. Em 2010, a Gartner previu que os gastos em TI pelas empresas no mundo seria em torno US$ 3,4 trilhões, 4,6% maior que os investimentos feitos em 2009 (IPNEWS). A consultoria aponta esse crescimento como modesto, devido à recente crise econômica mundial. O instituto IDC, registrou no Brasil a marca de 6,4 milhões de PC só no primeiro semestre de 2010, um número 32% maior que o primeiro semestre de 2009 (IDG NOW). Portanto, gerenciar a TI é uma necessidade de manutenção da saúde financeira e de sobrevivência do negócio, e não apenas do funcionamento de uma área da empresa.

Referencias

  1. Do Gerenciamento à Governança em 5 partes – 1  
  2. Do Gerenciamento à Governança em 5 partes – 2  
  3. MAGALHÃES, Ivan L.; BRITO, Walfrido. Gerenciamento de Serviços de TI na Prática – Uma abordagem com base na ITIL. Novatec. São Paulo, 2007.  
  4. SALLÉ, Mathias. IT Service Management and IT Governance: Review, Comparative Analysis and their Impact on Utility Computing. HP Laboratories. Palo Alto, 2004.  
Cleber Sousa

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