Tecnologia

A Epopeia de um e-mail

Quando terminei a faculdade em 2005, meu Trabalho de Conclusão de Curso, a.k.a. TCC, foi sobre servidores de e-mail, como atuo na área de e-Procurement, o envio de e-mails é uma das ferramentas mais utilizadas para aviso aos clientes, chegando ao estado de ser ferramenta vital de informação.

O que muitos não sabem é que o envio de um e-mail implica em muito mais coisas do que se imagina, muitas vezes já ouvi do outro lado da linha: – “Olha, acabei de clicar em enviar, veja se já chegou!”.

Fico impressionado com  tamanha pretensão de uns e outros, por este motivo nos meus guardados resolvi  “repostar” um texto muito interessante para aqueles que não tem a mínima idéia do que é enviar um e-mail e suas complicações1.

Por Nando Rodrigues, da PC WORLD

05/04/2007

Sabe o que acontece a uma mensagem depois de clicar no botão enviar? Ou por que ela, às vezes, demora para ser entregue? Descubra aqui

Você escreve uma mensagem, anexa relatório, imagens ou filmes e pressiona o botão enviar. Pronto. E lá vai seu e-mail. Mas ele vai exatamente para onde? E de que forma isso acontece?

A longa trajetória e transformações pelas quais a sua mensagem é submetida – do exato momento em que você apertou o botão enviar, até ela ser entregue na caixa postal do destinatário – pode ser considerada uma verdadeira epopeia.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, epopeia pode ser entendida como uma “sucessão de eventos extraordinários, ações gloriosas, retumbantes, capazes de provocar a admiração e a surpresa”. Você verá que é mais ou menos isso que acontece com o seu e-mail.

Divisão e identificação

Para que qualquer quantidade de informação – seja um e-mail, um arquivo, um filme ou uma combinação qualquer de tudo isso – possa ser enviada pela Internet (a maior de todas as redes) é necessário que ela seja dividida em pacotes (IP Packets).

Esses pacotes têm tamanhos predefinidos e são identificados com dados sobre os endereços IP do remetente e do destinatário, e informações sobre o que está sendo enviado. Isto é necessário porque um mesmo remetente pode enviar mais de um pacote de informações para determinado destinatário.

Sem essa identificação, seria impossível reunir todas as partes que compõem determinada mensagem e o resultado seria um amontoado de pacotes confusos – possivelmente oriundo de mensagens diferentes, ainda que vindas de um mesmo remetente e para um mesmo destinatário.

Começa a aventura

Devidamente identificados, os pacotes precisam ser encaminhados para seu destino. E isto é feito pela rede local ou LAN, caso exista uma, à qual estão conectados todos os computadores, roteadores, impressoras da sua empresa ou sua casa.

Numa comparação grosseira, a rede pode ser entendida como uma estrada, na qual circulam todo tipo de veículo de transporte, todos devidamente emplacados. Lembra-se dos pacotes IP?

Nas estradas, carros, caminhões, ambulâncias, ciclistas e até pedestres dividem espaço. O mesmo acontece na LAN, com os pacotes de informação que formam seu e-mail.

Nessa etapa de “sua viagem”, esses pacotes compartilham simultaneamente a rede com milhares de outros pacotes de outras informações (arquivos usados por aplicações e até com pacotes de voz, caso uma solução de VoIP esteja instalada nesse rede, por exemplo).

Cada um destes pacotes têm prioridades distintas. Não raro, colisões podem acontecer, resultando na perda de alguns pacotes.

A primeira arrumação no que está trafegando na LAN é feita pelo roteador instalado na rede. Sua função primordial é ler os endereços IP de cada pacote, selecionar aqueles enviados a usuários da própria rede e encaminha-los para o endereço (computador) que está marcado no pacote.

É um trabalho burocrático e ininterrupto, porém extremamente importante para que tudo funcione adequadamente. Uma falha eventual no roteador significa que os pacotes não vão chegar a seu destino.

Lembre-se que sua mensagem, agora, para a rede, é apenas mais um pacote num mar de pacotes. E, como em uma cidade, ruas e avenidas cheias de carros resultam em congestionamentos, quanto maior a quantidade de pacotes que o roteador tiver de tratar (muito tráfego na rede), mais tempo ele vai levar para encaminhar todos os que compõem a sua mensagem.

Ao chegar no computador do destinatário, os pacotes serão novamente montados. Isto é possível por causa das informações de identificação que fazem parte de cada um dos pacotes.

Se o computador destino percebe que está faltando um determinado pacote (que pode ter sido perdido por uma eventual colisão), ele solicita que o computador remetente envie esse pacote novamente. Esse processo acontece tantas vezes quantas forem necessárias para que a informação possa ser montada novamente.

Em caso de tráfego excessivo, a probabilidade de perda de pacotes aumenta, tornando necessário o reenvio do que foi perdido. Isto atrasa a entrega da mensagem no destino.

E as mensagens para usuários externos?

Caso a sua mensagem tenha como destinatário um usuário que não pertença ao seu domínio, ou seja, a sua própria LAN, ela estará sujeita um número de riscos ainda maiores. Veja o que acontece com ela.

Ao passarem pela seleção do roteador da LAN, os pacotes das mensagens externas precisam seguir para a internet. A primeira etapa é vencer o firewall.

A função básica desse dispositivo é proteger a rede de ameaças externas. Mas ele pode também ser programado (caso possua esta facilidade) para filtrar o que pode e o que não pode ser enviado pela internet.

Caso o firewall identifique pacotes cujo conteúdo esteja proibido de trafegar na web (arquivos executáveis, pornografia etc.), ele irá destruí-los e, dependendo do modelo, o administrador da rede será avisado do que aconteceu, informando inclusive, o endereço IP de quem gerou a informação – ou seja, o administrador sabe exatamente de onde partiu a informação indevida.

Passada esta primeira ameaça, os pacotes que compõem sua mensagem seguem para o modem que conecta a rede ou computador doméstico à infra-estrutura da operadora de telecomunicações, seja por serviço de banda larga (com ou sem fio) ou linha discada.

Cada uma dessas etapas envolve riscos de perda de pacotes e, consequentemente, demora até que a informação completa chegue ao seu destino.

A partir dos servidores do provedor, onde os pacotes de informações chegam, eles são encaminhados para a internet, que nada mais é do que uma grande teia formada por milhares de outras redes de computadores, cada uma com características diferentes, sistemas operacionais e políticas de tráfego distintas.

Ainda que a inteligência da rede procure enviar os pacotes pelo caminho mais curto – razão pela qual um e-mail às vezes leva poucos segundos para cruzar o planeta – é possível que este caminho esteja congestionado ou simplesmente inoperante (lembre-se de que os roteadores precisam estar funcionando para que os pacotes sejam encaminhados corretamente).

A situação ideal também é aquela em que todos os pacotes que compõem o seu e-mail seguissem o mesmo trajeto, mais isso é algo praticamente impossível de se prever. Uma vez na web, os pacotes seguem caminhos aleatórios. Podem ir por fibra óptica, satélite, cabos submarinos, ondas de rádio ou qualquer outro meio disponível.

Por essa razão, o computador destino deve aguardar que todos os pacotes sejam entregues para remontar a mensagem que será entregue na caixa postal do destinatário.

Quanto mais complexo for o trajeto, quanto mais roteadores e switches manipularem os pacotes, maior a chance de que algo de ruim aconteça a eles. E, novamente, a perda de um único pacote de informação implica em seu reenvio – e novos riscos.

Já ouviu falar em WWW – world wide wait? Pois é. Às vezes é preciso esperar, esperar e esperar até que sua mensagem será entregue. E isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde.

Sentinelas

Ao chegar ao domínio a que o destinatário da mensagem pertence, os pacotes se deparam com… outro firewall. Para ultrapassar esta nova ameaça, os pacotes terão que estar compatíveis com as políticas de segurança que tiverem sido definidas para eles.

Isso envolve os mais diferentes aspectos: tipo de arquivo, tipo de conteúdo e até o tipo de porta.

A porta 25 é de uso exclusivo de pacotes de e-mail. Caso os pacotes da sua mensagem, por alguma razão, tentem utilizar uma porta diferente, eles serão rejeitados pelo firewall e a mensagem não será entregue.

Ultrapassada essa nova barreira, os pacotes terão de ser tratados por um outro roteador, que vai

encaminha-los para o destino final. Lá, se todos os pacotes tiverem chegado, a mensagem é remontada e entregue na caixa postal do destinatário.

Complicadores intermediários

Se já não bastassem os obstáculos apontados até aqui, existem alguns processos que tendem a retardar ainda mais a entrega de um e-mail.

O primeiro deles é o antivírus. Os pacotes que compõem sua mensagem vão passar, ao longo de seu caminho, por pelo menos dois antivírus – o da máquina do remetente e o que está na máquina do destinatário. E nem pense em elimina-lo do processo. Sua existência é parte fundamental da segurança do sistema.

Não é comum, mas pode acontecer de, em algum momento, entre um roteador e outro, uma nova checagem possa acontecer. Mesmo que isto seja realizada rapidamente, qualquer novo entrave causa retardos na entrega da mensagem.

Se além do antivírus houver programas AntiSpam ou filtros de conteúdo novas checagens serão realizadas. E cada uma delas acrescenta uma pequena unidade de tempo que, somadas, podem representar preciosos segundos.

Obs. As imagens que ilustram essa matéria foram capturadas do vídeo abaixo.

Na realidade este vídeo não leva em consideração o tráfego dentro do servidor, onde um servidor de e-mail congestionado pode fazer uma mensagem chegar bem atrasada…. já vi mensagens chegarem alguns dias depois de serem enviadas, isto não se trata de problema de rede e sim de serviço.

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Coimbra, PMP
CEO do portal, apaixonado por gestão de projetos, metodologias, minha família, professor, consultor, certificado PMP, Six Sigma White Belt.

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